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Histórias que ecoam no escuro.
Capa de Orto

Sobrenatural,Investigação,Thriller

Orto

Orto

2020Kindle UnlimitedPT

A história

Onde a vida nasce,
o mal aguarda.

Após um acidente brutal na estrada de La Voie Vert, Emma desperta no Hospital Durant. Seu marido está em coma. A equipe médica é atenciosa demais. E o bebê em seu ventre parece estar mudando.

Enquanto isso, o detetive Treux investiga uma série de mortes brutais que cercam o hospital.

Leia um fragmento

Trecho de degustação

Nossa viagem parecia não ter fim, sentia que estava dentro do carro há dias. Nada de interessante para se olhar, apenas uma vasta, escura e extremamente calma estrada vazia. Quebrávamos o silêncio absoluto da estrada com músicas que tocavam em nosso toca fitas. Uma mistura de músicas caóticas e românticas que ouvimos com frequência quando estamos juntos. Escutamos um pouco de tudo, mas nossos preferidos são Françoise Hardy e The Doors — "Break on Through" jamais parou de tocar em nosso carro desde quando nos conhecemos. Faço esse trajeto, no mínimo, seis vezes ao ano, mas não entendi por que hoje estamos demorando tanto.
Olhava constantemente para a velocidade em que estávamos para conferir se Pierre não andava devagar. Mexi na regulagem do banco e no porta-luvas enquanto comia os biscoitos salgados que levei por precaução. Talvez seja porque, na atual situação, eu não esteja conseguindo dormir direito, tenho andado bastante faminta e impaciente para certas coisas. Pierre não parava de encarar minha barriga com um sorriso bobo que não conseguia, e não queria, arrancar do rosto. Ele vai ser um ótimo pai, não há dúvidas!
— Olhos na rua, meu amor. E coloque o cinto de segurança, por favor. — Virei seu rosto com delicadeza usando apenas o indicador. — Estamos bem! Ficaremos melhor e mais tranquilos se você prestar atenção na rua! — Sorri.
— Desculpa! Estou preocupado. — Pierre tentava não olhar novamente em minha direção, porém não conseguia. Ele passou a mão na nuca e me olhou sem movimentar a cabeça. — Você sabe minha opinião sobre toda essa mudança em nossas vidas, além de ter que dirigir a essa hora da noite.
— Sei! — Respirei fundo e bati com a mão no painel do carro. — E já ouvi esse mesmo argumento milhões de vezes, mas não vou deixar de ter meu filho próximo dos meus pais por causa do seu medo de arriscar. Eles nos ajudaram muito em momentos de necessidade, já esqueceu? E você sabe que eles não podem viajar. Depois que nosso filho nascer, eu também não pretendo sair de casa nem tão cedo. Logo, como já havia conversado contigo…
— Eu sei, mas tente entender, Emma…
— Não, Pierre! Que coisa! — Precisei interrompê-lo. Não gosto de subir meu tom de voz, mas foi necessário. — Agora não vai mudar nada você querer insistir neste tópico. Já estamos no meio do caminho, praticamente. Saímos de nossos empregos, as nossas coisas vão chegar da mudança logo e… — Reparei no silêncio e na seriedade de Pierre dirigindo e acariciei sua perna. Não gosto de vê-lo chateado. — Desculpe por ter gritado. Vai dar tudo certo. Temos dinheiro suficiente para viver meses sem trabalhar. E você, meu amor, possui um ótimo histórico profissional. Seu chefe até fez uma recomendação sua. Você vai arrumar um emprego novo logo.
— Você sempre faz isso! — Bateu, se contendo para não usar muita força, incontáveis vezes com as mãos no volante. Em um ritmo totalmente desregulado e frenético, esfregou a barba com força e então virou-se com olhar agitado fixo aos meus. — Primeiro, corrigindo você, nosso filho. Você sempre me interrompe! Você sempre grita! Você sempre reclama de alguma coisa! Tudo tem que ser do seu jeito e isso não muda nunca! Poderia me ouvir apenas uma única vez. Não estou pedindo para